A verdadeira história de "A Bela e a Fera" por Ludwig Bechstein,1847

"A transformação só teria fim quando uma virgem inocente caísse de amores por mim apesar de minha aparência e chorasse lágrimas em meu nome."
Olá povo lindo! Resolvi dar o ar da minha graça depois de tanto tempo sem postar nada.  Até que enfim estou de férias, e rumo ao meu último semestre na faculdade.
Bom, como fazia um tempinho que não postava nenhum conto de fadas por aqui (e vocês sabem o quanto gosto das histórias reais dos contos de fadas) resolvi trazer mais um que achei super interessante, que é o conto que conhecemos como "A Bela e a Fera", mas que ni início se chamava "Vassourinha" ou "Pequena Vassoura" ou "O Pequeno Cabo de Vassoura". Para ser sincera achei meio bobo esse nome, e não muito a ver com a história, leiam e vejam se concordam comigo. Espero que gostem!

IMPORTANTE: Não consegui achar o conto em nenhum site brasileiro, então peguei em inglês e traduzi, relevem se estiver alguma coisa errada, ou escrevam nos comentários que eu arrumo, afinal o conto é meio grande e meu inglês não é perfeito. :P

Aaaah, para quem tiver interesse, tem outros contos que vocês podem conferir no blog, é só clicar AQUI.

Ludwig Bechstein (24 de novembro de 1801 - 14 de maio de 1860) foi um escritor alemão e colecionador de contos de fadas folclóricos. Ludwig cresceu em seus primeiros nove anos em condições econômicas muito precárias. Sua situação melhorou somente quando seu tio Johann Matthäus Bechstein, um renomado naturalista e silvicultor vivendo em Meiningen no distrito de Schmalkalden-Meiningen, na Turíngia, o adotou em 1810. Ele foi então enviado para a escola e em 1818, começou a estudar para ser farmacêutico. De 1829 a 1831 ele estudou filosofia e literatura em Munique e Leipzig e posteriormente foi contratado como um bibliotecário. Bechstein publicado muitos trabalhos e foi um autor de sucesso de seu tempo.

“O Pequeno Cabo de Vassoura”

 Era uma vez um mercador que tinha três filhas. As duas mais velhas eram orgulhosas e arrogantes. Já a outra, no entanto, era bem comportada e modesta, apesar de sua beleza superar em muito a de suas irmãs. Vestia-se simplesmente, e isso só reforçava sua beleza em relação à de suas irmãs.

 Nettchen, que era o nome da filha mais nova do comerciante, tinha uma amiga querida que era muito pobre, mas igualmente bela e virtuosa. Ela era filha de um fabricante de vassouras e por esta razão, era chamada de pequena vassoura por jovens e velhos. Ambas as meninas eram de um só coração e uma só alma. Elas confiavam uma à outra seus segredos, e entre eles todas as distinções de classe caiu no esquecimento. Isto enfureceu as irmãs mais velhas, mas Nettchen as deixava a ralhar e amava sua pequena vassoura.

 Uma vez, o comerciante estava planejando uma longa viagem, embora a temporada já estava muito avançada. Ele perguntou o que suas filhas queriam que ele trouxesse como presente em sua volta. A mais velha disse,

"Traga-me um colar de ouro!" A segunda, "Traga-me um par de brincos que são tão bonitos que todas as mulheres terão inveja de mim por causa deles!" A mais nova disse que ela não desejava nada, pois seu pai, em sua bondade, já tinha dado tudo a ela. Mas o comerciante insistiu, então, ela respondeu com um sorriso, "Então me traga três rosas crescendo em um tronco." Ela estava convencida de que seu pai não seria capaz de encontrar um presente como esse no meio do inverno. Ele beijou-a pela sua modéstia e seguiu em sua jornada.

Ele estava a caminho de casa quando lembrou-se dos presentes que ele deveria obter para suas filhas. Ele logo encontrou um colar de ouro e um par de brincos esplêndidos, mas não as três rosas para Nettchen. O pai então decidiu comprar um outro presente valioso para sua querida, quando de repente, para sua surpresa, ele viu logo acima, uma área verde. Ele seguiu através de um portão amplo e encontrou-se em um grande florescimento de um jardim, adjacente a um esplêndido castelo. Lá fora, tudo estava coberto de neve, mas no jardim as árvores estavam em flor, os rouxinóis cantavam nos arbustos, e finalmente ele viu uma roseira e dos seus ramos, viu três dos mais belos botões semiabertos. Exultante, ele pensou que seria capaz de cumprir o desejo de Nettchen, então quebrou o galho.

Ele mal tinha feito isso quando uma besta enorme, com um focinho longo e feio, orelhas penduradas para baixo, com um casaco e cauda apareceu diante dele e deitou suas garras muito afiadas em seu ombro. O comerciante ficou mortalmente assustado, ainda mais quando o animal começou a falar, ameaçado-o de morte por seu crime.

O comerciante implorou, dizendo-lhe por que ele queria as rosas, contudo a besta respondeu: "sua filha mais nova deve ser uma verdadeira pérola. Muito bem, se você prometer dar ela para mim em sete meses, então você deve viver e voltar para sua família."

O comerciante estava pensando em recusar a proposta, mas seu medo, no entanto, levou-o a fazer a promessa, pensando que ele seria capaz de enganar o monstro.

O comerciante voltou para casa e distribuiu os presentes. No entanto, ele estava triste e melancólico, e elas perceberam que ele estava carregando um fardo grande em seu coração. Nettchen lhe pediu que contasse o que o preocupava, mas ele só deu desculpas a ela. Ele contou o segredo só para as duas filhas mais velhas, que perversamente sentiram prazer na situação.

Para que o pai pudesse manter os olhos nela, Nettchen quase nunca era autorizada a sair de casa. Só a pequena vassoura que vinha visitá-la de vez em quando.

Um dia, passado o sétimo mês, ela e a pequena vassoura novamente estavam juntas, quando uma carruagem parou em frente a casa. Um servo, gesticulando silenciosamente, entregou uma nota ao comerciante. Nele estavam escritas as palavras, "cumpra sua promessa!"

O comerciante estava apavorado, então ele chamou a pequena vassoura para o acompanhar. A menina veio, esperando que nada de ruim acontecesse. O comerciante então apontou para ela e ela foi levada para a carruagem, que logo partiu.

No entanto, a besta reconheceu a pequena vassoura quando esta foi trazida diante dele, então ordenou que a menina fosse novamente enviada para casa e que eles trouxessem a garota certa. A carruagem parou novamente diante da casa do comerciante, e quando a pequena vassoura saiu, Nettchen caiu em volta de seu pescoço com saudações amistosas. Mas logo depois ela foi pega e empurrada para dentro da carruagem, que foi embora mais rápido que uma flecha.

Nettchen estava muito assustada, mas ela logo relaxou. Dentro do castelo estranho, ela foi recebida com honra, embora com gestos em silêncio. Servos em silêncio trouxe a ela as coisas mais deliciosas de se comer e mostrou-lhe um quarto, onde uma cama de dossel branco ofuscante convidava-a para descansar. Depois de dizer suas orações, ela se rendeu aos braços do sono.

Quando ela acordou, ela viu com medo, um monstro nojento deitado ao lado dela. Mas como estava no chão e em silêncio, ela o deixou em paz. Então ele saiu, e ela teve tempo para pensar sobre sua aventura.

A besta feia, gradualmente tornou-se seu companheiro adormecido, e ela ficou com cada vez menos medo dele. Ele aninhou-se a ela, e ela acariciou seu casaco peludo e ainda lhe permitiu tocar seus lábios com seu focinho longo e frio. Já se tinham passado quatro semanas, quando uma noite a besta não veio até ela. Nettchen não conseguia dormir de preocupação pensando no que poderia ter acontecido com a besta, a quem ela tinha se tornado muito afeiçoada.

Na manhã seguinte, ela estava andando no jardim, quando ela viu a besta esticada na margem de uma lagoa. Ela não mexia um único membro e mostrou todos os sinais de estar morta. Uma dor amarga penetrou o peito dela, e ela chorou com a morte da pobre besta. Mas as lágrimas mal tinham começado a fluir quando o monstro foi transformado em um belo jovem.

Ele levantou-se diante dela, apertou a mão em seu peito e disse, "você acaba de me resgatar de uma terrível maldição. Meu pai queria me casar com uma mulher a quem eu não amava. Recusei-me firmemente, e em sua raiva, meu pai pediu a uma feiticeira para transformar-me em um monstro. A transformação só teria fim quando uma virgem inocente caísse de amores por mim apesar de minha aparência e chorasse lágrimas em meu nome. Você com seu coração de anjo tem feito exatamente isso, e eu não posso lhe agradecer o suficiente. Se você se tornar minha esposa, eu retribuirei com amor o que você tem feito por mim."

Nettchen estendeu sua mão, e aceitou casar-se com o belo jovem. Alegria reinava por todo o lado, e os recém-casados viveram em felicidade.

À jovem esposa, tinha sido dada a exigência de que ela não retornasse à casa do pai por um ano. No entanto, ela obteve um espelho em que ela pudesse ver tudo o que estava acontecendo em seu círculo familiar.

Nettchen olhou para o espelho muitas vezes, e ela viu o pai em sua tristeza, apesar de suas irmãs estarem sempre alegres. Ela observou a pequena vassoura também, e como ela se lamentava pela perda da amiga.

Ela não olhou para o espelho por algum tempo, e quando ela voltou para ele, ela viu o pai em seu leito de morte e suas irmãs na sala ao lado, felizes junto a seus amigos. Isto entristeceu profundamente a boa irmã, e ela confidenciou a tristeza para o marido. Ele confortou-a, dizendo: "seu pai não vai morrer. No meu jardim há uma planta cuja seiva pode trazer de volta os espíritos. O ano está quase no fim. Então vamos buscar o teu pai, e você não terá que ficar separada dele por mais tempo."

 Nettchen ficou satisfeita com isto, e assim que o ano passou, o marido, a esposa e sua comitiva magnífica viajaram para a cidade natal de Nettchen. As duas irmãs mais velhas quase estouraram de inveja e raiva, enquanto a alegria do pai trouxe de volta sua saúde. A seiva restaurou sua força total e bem-estar.

A pequena vassoura também ficou muito feliz, e Nettchen era sua antiga amiga, mais uma vez. Ela e o comerciante acompanharam o casal de volta ao castelo do príncipe. Nettchen tinha um coração perdoador, e mesmo ela tendo sido tão machucada por suas irmãs, ela queria compartilhar sua boa sorte com elas. Portanto, ela as convidou para visitá-la e mostrou-lhes toda a sua riqueza. No entanto, o esplendor irritou as irmãs, e elas resolveram matar sua irmã feliz.

Quando elas estavam no banho, forçaram Nettchen sob a água e afogou-a. Mal tinham feito isto quando uma figura feminina alta levantou-se diante delas e olhou para elas com olhos zangados. Ela tocou a mulher morta com uma varinha, e ela voltou à vida.

"Eu sou a feiticeira que uma vez transformou o príncipe," disse com a voz alta.  “Eu tenho observado seu bom coração e a acolhi sob minha proteção. Essas miseráveis a mataram. Agora eu deixo seu destino em suas mãos!"

Nettchen implorou por misericórdia para ela, mas a feiticeira abanou a cabeça e disse: "Elas devem morrer, pois você nunca estará a salvo de sua maldade, e assim que elas foram punidas, meu poder cessará."

"Então faça com elas o que quiser!" chorou Nettchen. "Deixe-as serem transformadas em colunas e permanecerem assim até que um homem se apaixone por elas, o que nunca vai acontecer." Ela tocou as irmãs com a mão, e elas imediatamente se transformaram em duas colunas de pedra, que até hoje estão em pé no jardim do esplêndido castelo, mas até hoje não ocorreu a qualquer homem, cair de amores por pedras sem coração.

A pequena vassoura permaneceu a amiga mais fiel de Nettchen. Ela ainda partilha a sua boa fortuna com ela, se, entretanto, as duas não morreram.

16 comentários. Clique aqui para comentar também.:

Thay Freitas disse... [Responder comentário]

Oi, flor!!
Também adoro contos de fadas *.*
Não conhecia esse conto, adorei <3
Primeira vez aqui no seu blog, adorei seu cantinho!

Boa semana ;)
Beijinhos :*
Sankas Books

O Que Tem Na Nossa Estante disse... [Responder comentário]

Não conhecia essa versão do conto, mas gostei de conhecer é sempre bom! A Bela e a Fera é uma de minhas histórias favoritas... Agora essa parte da fera partilhar a cama da Bela é meio fora do universo infantil néh?!?! hahaha

Pandora
O que tem na nossa estante

Micaela Gomes disse... [Responder comentário]

oi!
A bela e a fera são uma das minhas histórias favoritas, já li alguns contos mas nunca tinha lido esse, achei maravilhoso!
bjs xxx
lendocomela.blogspot.com.br

Micaela Gomes disse... [Responder comentário]

oi!
A bela e a fera são uma das minhas histórias favoritas, já li alguns contos mas nunca tinha lido esse, achei maravilhoso!
bjs xxx
lendocomela.blogspot.com.br

saray rossi disse... [Responder comentário]

Não conhecia esse conto. Adorei.

Luiza Helena Vieira disse... [Responder comentário]

Eu ainda não tinha lido essa verdadeira história e curti. Vou já dar uma olhada nas outras que você postou.
Beijos
Balaio de Babados
Participe da promoção de aniversário do blog Crônica sem Eira

Desbravador de Mundos disse... [Responder comentário]

Olá, tudo bem?
Não conhecia essa versão do conto, mas adorei. É bem diferente. Adoro descobrir e conhecer as mais diversas construções que os contos de fadas podem ter.

Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de junho. Serão quatro livros e dois vencedores!

Silviane Casemiro disse... [Responder comentário]

Achei interessante, muita gente adora a historia mas não sabe da verdadeira historia.
Beijos
Estilhaçando Livros

Bianca disse... [Responder comentário]

Eu amo a história da Bela e a Fera, ainda não tinha lido a original e gostei muito, achei bem parecida com as adaptações que já conhecia.
Beijos
Bluebell Bee

Jessica Andrade disse... [Responder comentário]

Olá,
Não conhecia a verdadeira história e gostei muito. Esse sempre foi um dos meus contos favoritos.
Adorei o seu blog ♥
Bjs e uma ótima noite!
Diário dos Livros
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Viajei nas Entrelinhas disse... [Responder comentário]

Oi, Não conhecia a versão original do conto.
Seu blog é lindo!

Beijos, Jana!

Blog Viajeinasentrelinhas

@ViajNasE_Linhas

Face viajeinasentrelinhas


Viajei nas Entrelinhas disse... [Responder comentário]

Oi, Não conhecia a versão original do conto.
Seu blog é lindo!

Beijos, Jana!

Blog Viajeinasentrelinhas

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Face viajeinasentrelinhas


Tony Lucas disse... [Responder comentário]

Oi, Jessica! Tudo bem? Se não me engano, já tinha lido essa versão em algum lugar... Mas enfim, adorei o post! :)

Abraço

https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Priscilla Frasnelli Rocha disse... [Responder comentário]

Oi Patricia!
A Bela e a Fera é um dos meus filmes da Disney favoritos, adorei saber a história real. :)
A parte das irmãs pedindo presentes me lembrou o live-action da Cinderela!
Beijos,

Priscilla
Infinitas Vidas

Bianca Sampaio disse... [Responder comentário]

Oi Patricia!
Adoro contos de fadas e gosto de conhecer a história real, normalmente só conhecemos a historia dos filmes.

Beijos,
Epílogos e Finais

Aline Miranda disse... [Responder comentário]

Oi Patrícia!

Primeira vez aqui no seu blog e já amei! Também amo ler e meu sonho é um dia ter uma estante repleta de livros lidos.

Sou fã de contos de fadas e o meu favorito é a Bela e a Fera. Nunca tinha lido a história real dela e adorei conhecer. Obrigada por este post!

Um beijo ♡

http://www.taigostei.com.br

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